segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

The endless river, do Pink Floyd




Se você é fã do Pink Floyd como eu, provavelmente deve ter adquirido ou escutado em algum momento esse último dos últimos dos álbuns da banda. E deve ter concluído, como eu, que não se trata exatamente de Pink Floyd tal como nós conhecemos, seja da fase Barret, Waters ou Gilmour. Trata-se de um trabalho quase inteiramente instrumental, e inteiramente construído como uma homenagem de Gilmour e Mason ao tecladista Richard Wright, uma das almas da sonoridade da banda nos álbuns clássicos. Os integrantes remanescentes aproveitaram material de estúdio até então não utilizado para mostrar algumas ideias musicais de Wright que haviam ficado para trás.
Vamos começar os comentários dando esse gigantesco desconto ao álbum, admitindo que não é mais que um apêndice à obra do grupo, já devidamente difundida nos quatro cantos do planeta.
Dito isso, revelo que comprei a versão deluxe, com DVD, CD, postais, um livro de encarte e uma caixinha, material de primeira. Esse investimento na qualidade visual do produto e na sua condição de item colecionável é um diferencial importante na indústria atual. Os fãs se sentem respeitados quando se oferece a eles versões especiais, com capricho e beleza equivalentes ao carinho que têm com o conjunto desde sempre.
Os vídeos são recuperações de fotos e imagens de ensaios dos integrantes da última formação do Pink Floyd criando, compondo e executando.
Quanto ao material sonoro, que é o que interessa, deve-se admitir que trata-se de boas e competentes faixas instrumentais, com climas amenos e transcendentes, geralmente com uma cama de teclados para o brilho indiscutível e mítico da guitarra de Gilmour. A única faixa cantada, "Louder than words", é uma canção emocionada, com uma bela letra, possivelmente de apelo radiofônico. No resto do material, há o que soa como Division Bell: a sonoridade etérea e viajante, que está toda lá para conferir. Música agradável, bem feita, boa de ouvir. Apropriada para o que é o álbum: uma homenagem bonita. Sem grandes sacadas nem grandes surpresas.
Se for ouvido nesse espírito despretensioso, pode ser uma boa pedida, que vai ficando melhor conforme fica maior a frequência de audição, e menor a expectativa natural provocada por qualquer lançamento com a "grife" do Floyd.

Destaques: "Things left unsaid", "Skins", "Anisina", "Talkin' Hawkin'" (com participação de Stephen Hawking!), "Calling", "Nervana" (que só tem na versão deluxe, como áudio e como clipe) e o vídeo de "Evrinka (a)" (que na verdade é um excerto de "Wearing the inside out", do Division Bell) em que Gilmour faz miséria com sua guitarra, num solo arrepiante.


sábado, 25 de outubro de 2008

Med Sud I Eyrum Ved Spilum Endalaust


Teimo em classificar Sigur Ros como uma banda de rock progressivo. Mas é porque eles não me dão escolha.
Esse último disco é sensacional. Ouvindo as três primeiras músicas, você não tem uma impressão tão positiva: são lindas, mas cadê a viagem, a guitarra tocada com arco, os vocais etéreos e os falsetes andróginos? Avançando na audição, entretanto, surgem coisas como "Festival" e "Illgresi", que não deixam nenhuma dúvida quanto ao espírito transcendente do trabalho. "All alright" é uma síntese muito feliz das duas marcas registradas desses islandeses: doçura e elevação.
Por que progressivo? Porque traz a intenção, nas composições, de criar, pela estruturação harmônica e melódica, climas musicais densos e marcantes, tal como acontece na música erudita. Não pelo virtuosismo, nem pela experimentação, mas pelo enlevo da audição. Vale muito a pena.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Prog

Meus comentários sobre Art Rock, Prog Rock, e afins.

Evoé!